Terapia nas ondas: como o surfe ajuda crianças autistas a lidar com a sobrecarga sensorial

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Conheça o projeto que proporciona a jovens do espectro autista o contato com o mar: “Há algo poderoso sobre estar na água, algo fisiológico que é uma verdadeira terapia”, diz criador

 

Israel Paskowitz e o filho, Isaiah — Foto: Olympic Channel

 

O surfista Israel Paskowitz competia profissionalmente nos anos 90 quando seu filho, Isaiah, foi diagnosticado com autismo. Nascido numa família apaixonada pelo esporte – seu pai era o lendário Dorian “Doc” Paskowitz, famoso por abandonar a medicina para se dedicar integralmente às ondas – Israel imediatamente viu na condição do menino o fim de uma linhagem. Mas logo descobriu que o mar era justamente a reposta que procurava para o desenvolvimento de Isaiah.

– Isaiah perdeu a fala aos dois anos e então todos os traços do autismo apareceram. Eu pensei que por ele ser especial, não pertencia à água. Mas no dia em que o levei para surfar, houve uma conexão, ele se completou – lembra Israel, emocionado. – Há algo muito poderoso sobre estar na água. Uma coisa que cura, algo fisiológico que é uma verdadeira terapia. É disso que se trata. É disso que se trata o surfe.Israel levou Isaiah para a água na tentativa de acalmar o menino durante uma crise gerada pela sobrecarga sensorial, muito comum no autismo, e percebeu que o resultado foi instantâneo. O episódio motivou a criação da Surfers Healing, acampamento de surfe sem fins lucrativos que convida profissionais do esporte a levarem crianças autistas para as ondas. O Olympic Channel acompanhou a visita do surfista americano Parker Coffin ao projeto e sua interação com Adam, uma das crianças que participaram de um evento da instituição.

– Se você vê uma criança autista pulando e gritando, ela está procurando receber estímulos do ambiente. Estar na água, sentir a água se movendo, sentir a água no seu corpo dá a elas o estímulo sensorial que procuram – explica Deborah, mãe de Adam.

Parker Coffin em ação em Ericeira — Foto: Getty Images

 

“Uma vez um garoto caminhou até mim e falou: ‘E o meu troféu?’ A mãe começou a gritar e caiu, literalmente, de joelhos. Eu perguntei a ela se precisava de ajuda. Ela disse: ‘Meu filho nunca falou na vida dele'”

Texto original: Globo Esporte

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