Esgrimistas brasileiros torcem para que JO de Tóquio aconteça como previsto

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A organização dos Jogos de Tóquio e o Comitê Olímpico Internacional (COI) insistem em prometer um evento olímpico seguro (23 de julho a 8 de agosto), apesar da pandemia, mas especialistas japoneses duvidam dessa possibilidade. AP – Hiro Komae

 

A renúncia do presidente do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Tóquio, Yoshiro Mori, aumentou o clima de incerteza que paira sobre a realização das Olimpíadas. Depois do adiamento de um ano devido à pandemia do coronavírus, a crise sanitária mundial continua preocupante. O COI insiste em manter a data inalterada, de 23 de julho a 8 de agosto, prometendo um evento olímpico seguro.

Especialistas japoneses duvidam da possibilidade de realizar um JO seguro. De acordo com várias pesquisas, mais de 80% dos japoneses desejam um novo adiamento ou o cancelamento das Olimpíadas. Já os atletas torcem para que os Jogos aconteçam como previsto.

A esgrimista Nathalie Moellhausen, que nasceu na Itália e se naturalizou brasileira, é até agora a única atleta da equipe de esgrima do Brasil que já tem sua vaga garantida nas Olimpíadas. A campeã do mundo de espada em 2019, e atual número 2 do ranking mundial, passou um ano praticamente treinando sozinha. Ela acaba de retomar a preparação física em grupo, ao lado de outros atletas internacionais que fazem um estágio na Estônia. Nathalie se prepara para todas as eventualidades.

“Prefiro estar pronta para algo que não vai acontecer do que não estar pronta para algo que acontecerá. Pessoalmente, eu quero que o evento aconteça. Se for adiado, eu já vivi essa situação no ano passado e vou aceitar o que vier”, diz a esgrimista.

Nathalie Moellhausen diz que novas variantes da Covid-19 trazem ainda mais incertezas. “É muito difícil nesse momento poder dizer o que é o certo. Acho que as autoridades vão tomar as decisões considerando os riscos para a saúde dos atletas, da população e das outras pessoas que participariam dessas Olimpíadas. Acho que a gente tem ainda um pouco de margem para decidir. É verdade que tudo ainda está super incerto. A gente nem sabe se a vacina vai funcionar. É ao mesmo tempo cedo e tarde para fazer uma avaliação”, acredita.

 

Nathalie Moerlhausen © Arquivo Pessoal

 

Sucesso de outros eventos esportivos é exemplo

Guilherme Toldo é outro esgrimista brasileiro com ótima posição no ranking olímpico no florete. Ele tem vaga quase garantida em Tóquio. O gaúcho, que treina na Itália, vai buscar no Grande Prêmio de Doha, em março, o único ponto que falta para disputar sua terceira Olimpíada. Guilherme destaca o sucesso de outros eventos esportivos durante a pandemia e defende a realização dos Jogos Olímpicos.

“Eu acredito na experiência de outros esportes como a NBA, que acabou fazendo uma bolha para realizar suas competições, e até mesmo o futebol, que em alguns casos fez um planejamento especial para que as competições voltassem. Num olhar otimista, mas sempre esperando que os responsáveis tomem as iniciativas necessárias para reduzir as chances de contaminação, nas competições e também nos traslados, eu sou a favor da realização dos Jogos com segurança”, defende.

 

O esgrimista brasileiro Guilherme Toldo conta com ótima posição no ranking olímpico no florete. © Arquivo Pessoal

 

O Comitê Organizador de Tóquio já começou a estabelecer novas regras para os mais de 11.000 atletas de mais de 200 países que devem participar das competições. Haverá controle de saúde antes da chegada ao Japão, testes regulares uma vez no país, restrições e acompanhamento de pessoas em contato com os atletas, além de limitação de permanência na Vila Olímpica. A organização dos Jogos aguarda a primavera no hemisfério norte, a partir do fim de março, para tomar algumas decisões difíceis, incluindo a possibilidade de limitar ou proibir o acesso dos espectadores aos estádios.

 

Passaporte de vacinação

Existe ainda a provável obrigatoriedade da vacina, mas, para Guilherme Toldo, todos os atletas têm que ter o mesmo tratamento.

“Se todos os atletas tiverem as mesmas chances e as mesmas condições para adquirir as vacinas e que tudo seja feito dentro de um planejamento padronizado para todos os atletas, não vejo nenhum problema de criar essa regra. Mas tem que atender todos os atletas que tiverem a classificação carimbada para Tóquio 2021”, reivindica o esgrimista.

De qualquer maneira, essas Olimpíadas serão atípicas. Os dois atletas brasileiros torcem pela realização do evento e sonham com vitórias. A meta de Nathalie Moelhausen é conquistar medalhas para a esgrima.

“Vai ser totalmente atípico. O meu primeiro desejo é poder mostrar tudo o que fiz durante todo o ano. Eu treinei constantemente, mas também curti bastante apesar do ano difícil. Espero que essa energia seja traduzida em algo positivo nesses jogos”, diz.

Além de Guilherme Toldo e Nathalie Moelhausen mais quatro esgrimistas brasileiros estão na reta final e podem conquistar vagas no Pré-Olímpico do esporte que acontece no Panamá, em abril.

 

Texto original: rfi/esportes

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